segunda-feira, 16 de abril de 2012

cuidando da própria Vida

Vivemos momentos difíceis no Orbe terrestre. O mal é divulgado com força, a violência se justifica como condição de convívio, a sexualidade viciante densifica o amor e deturpa os afetos, as doenças crescem, como produto de uma vida baseada na competição, no desequilíbrio emocional e na falta de conhecimento sobre si e sobre Deus. Todos os espíritos sofrem em algum nível. E esse sofrimento dá base para comportamentos que não são condizentes com um mundo melhor ou, pelo menos, com um estado de espírito mais equilibrado.
O que está faltando?
As religiões, seitas e filosofias se multiplicam e são divulgadas com facilidade. Temos acesso a informação de maneira muito ampla, mas não conseguimos ser sábios. Temos teorias e conceitos profundos sobre quase tudo o que há, distribuímos conselhos às pencas, mas não conseguimos resolver pequenos desafios que nossas escolhas nos trazem.
O que estamos fazendo de nossa encarnação?
Vivemos míopes diante da espontaneidade e da pureza da alma. Nos afastamos do Deus que habita dentro de nós...desconhecemos nossas necessidades mais intimas de aprendizado e equilíbrio. Desconhecemos a natureza de nossa Alma e atribuímos a outros responsabilidades que são exclusivamente nossas. De modo geral, não respeitamos nem nossas necessidades físicas básicas, tal como comer e dormir direito...
Tudo isso para que? Para dizer por ai que somos vítimas do destino? De um Deus intimidador?
Dia a dia vamos nos enredando em laços invisíveis e fortalecendo o cativeiro de nossa alma.
O que temos feito com as oportunidades de redenção e liberdade?
Quantas vezes temos que ajudar uma pessoa que tem a mesma dificuldade que nós mesmos? Quantas vezes somos convidados a mudar, a perdoar, a escolher de modo diferente, a recomeçar o caminho? Todos erramos e muito, mas há sempre a possibilidade de olhar de modo diferente para toda e qualquer situação, aprendendo com ela e escolher outros caminhos...
Quando postas essas questões para nossos amados mentores, geralmente eles nos aconselham a observar o que estamos fazendo e que nos leva para longe do caminho da Lei Maior. Segundo o que nos ensinam, todo e qualquer sofrimento é sinal de que estamos indo contra com nosso compromisso encarnatório. Para saber o que estamos fazendo de inadequado é necessário praticar momentos de meditação e reflexão profundas. Nos quais nos vemos como somos e identificamos o que temos que mudar. A Espiritualidade Superior está ao nosso lado para nos dar forças para a necessária transformação e, claro, resignação e entendimento para aceitar o que não podemos mudar ainda.
Isso é viver a mediunidade baseada na espiritualização e não apenas no fenômeno, isso é saber usar seu livre arbítrio, assim como, entre outras coisas, é vivenciar a religiosidade na vida real.
Imagino que aquela disciplina que é tão exigida dentro do Centro deva fazer algum sentido na nossa vida terrena também, não é mesmo? O silêncio, a prece, o distanciamento das situações negativas, a mudança de comportamento, o cuidado com as palavras, com os pensamentos, com os excessos de qualquer natureza, o cuidado com a vitimização e com a culpabilidade... etc. Tudo o que nos é ensinado dentro do Terreiro deve ser posto em prática na intimidade de nossa vida de alguma forma para além do acendimento de velas, de incorporações incautas ou de aconselhamentos puritanos. Se cada um cuida de seu caminho e, portanto, de sua vibração, estaremos contribuindo amplamente para o trabalho que as esferas superiores desempenham na Terra.
E, mais do que apenas dentro dos Terreiros e demais Templos religiosos, temos que nos conscientizar que servimos de instrumento também fora desses espaços. E o que aprendemos dentro deles deve servir à nossa encarnação e ao compromisso individual com a Divindade.
Olhemos para nossa Vida, para nossas escolhas, vamos viver o que aprendemos, com coragem, alegria e humildade e, assim, mudar nosso destino, fazendo valer a atual oportunidade encarnatória. Vamos fazer de nossa vida campo fértil para a Espiritualidade Superior e assim não coadnuar com a negatividade e repetição de ciclos cármicos. O que acham? Vamos tentar?

Carinho e axé,
Nelly

quinta-feira, 29 de março de 2012

Pequenas Reflexões - Alexandre Cumino

“Todos são Chamados,

Escolhidos são os que se Dedicam,

A ‘algo’ Maior que eles mesmos”

Alexandre Cumino

segunda-feira, 26 de março de 2012

domingo, 25 de março de 2012

Palavras de André Luiz

Na Terra, Deus nos concede o corpo, através de pais amigos.
Entretanto... Cada um de nós se lhe faz inquilino temporário em regime de responsabilidade.

Deus nos proporciona a riqueza das horas pela contabilidade do Tempo.
Entretanto... Cada criatura, em momento oportuno, apresentará o relatório dos próprios dias.

Deus nos oferta os laços afetivos pelos princípios da afinidade.
Entretanto... Podemos valorizá-los ou não, conforme o nosso próprio arbítrio.

Deus nos concede a propriedade, por intermédio das leis organizadas pelos próprios homens.
Entretanto... Daremos conta do usufruto respectivo.

Deus nos oferece as sementes pelos recursos da Natureza.
Entretanto... Plantio e colheita são sempre de nossa escolha.

Deus nos confia o dinheiro, através do trabalho ou da generosidade alheia.
Entretanto... Somos responsáveis pela aplicação da finança que nos seja creditada.

Deus nos habilita para a eficiência com máquinas diversas, por meio da própria inteligência humana.
Entretanto... Compete a nós outros a programação e a condução delas.

Em suma, toda criação e doação das vantagens de que dispomos procedem de Deus.
Entretanto, é justo reconhecer que todos os êxitos e problemas da utilização pertencem a nós.

ANDRÉ LUIZ
Do livro "Vida em Vida", André Luiz (Espírito), Francisco C. Xavier (psicografia)

A presença de Deus

Caros Amigos,

As vezes a gente tem uns momentos em que tudo faz sentido, não é? tudo parece tão claro e certo...pois de um desses momentos brotou a seguinte idéia:

Ainda que as paredes do Terreiro não existam e que todas as velas se apaguem; que todas as ervas sequem; que todo o branco da roupa se suje...ainda que a nossa crença se confunda; que as dúvidas pairem em nosso coração...ainda que nossos olhos se fechem...ainda que o silêncio e a solidão inundem nosso coração...Deus continuará existindo e a sua presença se fará sentir pelo simples fato da Vida - pelo movimento eterno de renascer. A força primeva que orienta a tudo e movimenta nossos passos e, a quem aprendemos a devolver nosso livre-arbítrio nos momentos mais difíceis, não depende das religiões ou ritos para existir. Esse é o mais essencial entendimento que podemos ter. Porque Ele faz sua morada em nós, em nossa consciência...mas aquela consciência que vai sendo construída na descoberta do que somos e do que podemos ser na Paz, no Amor, na Sabedoria e na Humildade...no descortinar de novos dias e de novos recomeços. Nascer e renascer. Escolhas...Isso é Deus...aqui qualquer religião se manifesta e se fortalece.
Reconhece Ele dentro de ti e assim educa teus olhos para vê-lo fora de teu coração...

Simples mesmo, sem nenhuma novidade... como a própria presença de Deus.
Paz e Bem, sempre!
Com carinho e axé!
Nelly

Oração do Umbandista

Senhor,
Fazei de mim um instrumento da vossa comunicação.
Onde tantos mistificam,
que eu leve a palavra da verdade!
Onde tantos procuram ser servidos,
que eu leve a alegria de servir!
Onde tantos fecham os olhos para a prática do bem,
que eu abra meu coração para acolher!
Onde tantos usam a Umbanda como comércio,
que eu seja usado pela Umbanda para o amor!
Onde tantos espalham a ignorância e o preconceito,
que eu saiba agir pela luz do conhecimento e da razão!
Onde a vida perdeu o sentido
que, através da Umbanda, eu leve o sentido de viver!
Onde tantos me pedem um “despacho”,
que eu saiba ensinar a benção do trabalho interno!
Onde haja doença
que eu leve a vibração de saúde de Oxosse e de Omolu.
Onde haja desespero
que eu leve a concórdia e a placidez das águas.
Onde houver desânimo,
que eu leve a determinação e a tenacidade de Ogum.
Onde houver injustiça,
que eu leve o discernimento e a justiça do nosso Pai Xangô.
Onde tantos me pedem um milagre,
que eu seja a humildade do Preto-Velho!
Onde tantos estão sempre distantes,
que eu possa fazer a Umbanda sempre presente!
Onde tantos sofrem de solidão que faz morrer,
que eu seja a pureza de Ibejada, nossas crianças, espalhando a alegria!
Onde tantos morrem na matéria que passa,
que Omolu nos abençoe com a vibração da terra, geradora permanente de vida.
Onde tantos olham para a terra,
que eu seja um espelho da Aruanda, a refletir sua luz na terra!

Saravá Umbanda!

Saravá nossos guias!

Saravá nossos Orixás!

Retirado de http://www.xangomenino.com.br/dsl/midias/oracoes/oracoes-diversas/item/45-ora%C3%A7%C3%A3o-do-umbandista.html

sábado, 10 de março de 2012

A trajetoria de um verdadeiro zelador de Umbanda

A TRAJETÓRIA DE UM VERDADEIRO ZELADOR DE UMBANDA
Sentado ali em frente de seu congá o velho pai de santo relembra com surpreendente nitidez sua infância e seu primeiro contato com a espiritualidade.

Nitidamente ele se vê na tenra infância a brincar sozinho no amplo quintal da casa de seus pais.
Lembra-se que alguma coisa o fez olhar para as nuvens e diante dele uma estranha imagem se forma:
um velho sentado ao redor de uma fogueira e um menino a ouvir-lhe estórias. De alguma maneira o menino ao ver aquela cena sabia que se tratava dele mesmo.

O tempo passou e a cena jamais esquecida e também jamais revelada, o acompanha em sonhos e lembranças.

Cresce e acaba se tornando médium Umbandista.
Aos poucos vai conhecendo seus guias, que vão tomando seu corpo nas diversas "giras de desenvolvimento".
Primeiro o Caboclo que lhe parece muito grande e forte, depois os demais...
Até que, ao completar 18 anos, seu Exu também recebe permissão para incorporar.

Já não é mais médium de gira, a bem da verdade ocupa o cargo de pai pequeno do terreiro. Percebe que não tivera uma adolescência como a da maioria dos jovens que lhe cercam na escola.
Não vai a bailes, festas...
Dedica-se com uma curiosidade e um amor cada vez maior à prática da caridade.

Os anos passam e acaba pôr abrir seu próprio terreiro. Inúmeras pessoas procuram os seus guias e recebem um lenitivo, uma palavra de consolo e esperança.
Foram tantos os pedidos e tantos os trabalhos realizados que já perdera a conta.
Viu inúmeras pessoas que declaravam amor eterno pela Umbanda e bastava que alguns pedidos não fossem alcançados na plenitude desejada que já se afastavam, criticando o que ontem lhes era sagrado...

Presenciou pessoas que, vindas de outras religiões, encontraram a paz dentro do terreiro, mantido a duras penas, uma vez que nada cobrava pelos trabalhos realizados ("Dai de graça o que de graças recebestes").

Solteiro permanecia até hoje, pois embora tivesse tido várias mulheres que lhe foram caras, nenhuma delas agüentou ficar a seu lado, pois para ele a vida sacerdotal se impunha a qualquer outro tipo de relacionamento. Amava mesmo assim todas aquelas que lhe fizeram companhia em sua jornada terrena.

Brincava, o velho pai de santo, quando lhe perguntavam se era casado e respondia, bem humorado, que se casara muito cedo, ainda menino.
A curiosidade dos interlocutores quanto ao nome da esposa era satisfeita com uma só palavra:
Umbanda, este era o nome da esposa.

Com o passar do tempo, a idade foi chegando; muitos de seus filhos de fé seguiram seus destinos vindo eles também a abrirem suas casas de caridade. O peso da idade não o impede de receber suas entidades. Ainda ecoa, pelo velho e querido terreiro, o brado de seu Caboclo, o cachimbo do Preto-velho perfuma o ambiente, a gargalhada do Exu ainda impressiona, a alegria do Erê emociona a ele e a todos...

Enfim, sente-se útil ao trabalhar.

Hoje não tem gira.
O terreiro está limpo, as velas estão acessas e tudo parece normal. Resolve adentrar ao terreiro para passar o tempo, perdera a noção das horas. Apura os ouvidos e sente passos a seu redor, percebe que alguém puxa pontos e que o atabaque toca. Ele está de costas para todos e de frente para o congá. O cheiro da defumação invade suas narinas...

Seus olhos se enchem de lágrimas na mesma proporção que seu coração se enche de alegria. Estranhamente, não sente coragem ou vontade de olhar para trás, apenas canta junto os pontos. Fixa seus olhos nas imagens do altar, fecha os olhos e ainda assim vê nitidamente o congá, parece que percebe o movimento do terreiro aumentar.

Vira de costas para o congá e a cena o surpreende: vê Caboclos,Boiadeiros, Pretos Velhos, Marujos, Baianos, Erês e toda uma gama de Guias... Até Exus e Pomba Giras estão ali na porteira. Se dá conta que os vê como são, não estão incorporados. Todos lhes sorriem amavelmente.

Dentre tantos Guias, percebe aqueles que incorporam nele desde criança. Tenta bater cabeça em homenagem a eles, mas é impedido. O Caboclo, seu guia de frente, se adianta, lhe abraça, brada seu grito guerreiro... Os demais o acompanham. O velho pai de santo não agüenta e chora emocionado... As lágrimas lhe turvam a vista. Fecha seus olhos e ao abri-los todos os guias ainda permanecem em seus lugares embora calados...

Nota uma luz brilhante em sua direção, Iansã e Omulu se aproximam, seu Caboclo os saúda e é correspondido. A luz o envolve completamente.
Já não se sente mais velho.
Na verdade sente-se jovem como nunca.
Seu corpo está leve e ele levita em direção à luz.
Todos os guias fazem reverência...
O terreiro vai ficando longe envolto em luz...
Ele sorri alegre... A missão estava cumprida...

No dia seguinte, encontram seu corpo aos pés do congá.
Tinha nos lábios um sorriso...

( Autor Desconhecido)

segunda-feira, 5 de março de 2012

Meu Orixá é melhor que o seu!

Já faz um tempinho que li esse texto, gostei muito da simplicidade e da atualidade de suas palavras...

Boas reflexões!
Axé!
Nelly Souza




Meu Orixá é melhor que o seu!
“MEU ORIXÁ É MELHOR QUE O SEU”. Quantas vezes nós já ouvimos esta afirmação de nossos irmãos Umbandistas ou até mesmo daqueles que têm afinidade com a Umbanda? Mas, o que mais me assusta, como sempre, são os comentários feitos muitas vezes por nossos irmãos praticantes de nossa Religião. O meu susto não pára apenas na frase, ou seja, no conteúdo destas palavras, mas no tom de voz que é utilizado e a postura muitas vezes “arrogante” de alguns irmãos. Na minha visão, estamos primeiramente desrespeitando os Orixás e na seqüência estamos nos achando superiores ao nosso próximo, coisa esta que é tipicamente nossa.
Vamos lembrar que todos os Orixás estão vivos em nossa coroa e em nossas vidas, mas observe que estamos falando de Orixá, O Dono da Cabeça, seres supremos, logo não existem divergências e tão pouco estrelismos ou melindres, como nós temos.
O assunto é tão sério que já ouvi pessoas sendo filhos (as) de Omulú dizerem que sentem “vergonha” de sua coroa, porque seu Pai é um Orixá “ancião” ou porque, para alguns, ele carrega o símbolo da morte. Com isso, aparecem os piores comentários: “Nossa! Então se sou filho de Omulú eu vou morrer? ”Sim, todos nós vamos um dia. “Nossa! Então eu sendo filho de Omulú eu posso matar qualquer um?” Não, a menos que goste de ficar em uma penitenciária respondendo um processo criminal.
Da mesma forma que tem àqueles que rejeitam temos também os médiuns, enchendo a boca para dizer: “Sou filho (a) de Oxum” ou “Sou filho (a) de Xangô”, etc.. Em alguns casos tem o complemento: “Meu Orixá é melhor e mais forte que o seu”. Acredito que nos dois casos, tanto no desprezo / vergonha, bem como na “Idolatria”, são cenários de uma enorme falta de respeito com os nossos Pais e Mães Orixás.
Por que temos que sentir vergonha ou desprezar o Orixá que está em nossa coroa ou na coroa de nossos irmãos? Por que muitos chegam a mentir com relação àqueles que regem sua coroa? Se todos os nossos Pais e Mães Orixás são Sagrados, por que rejeitamos o Sagrado? Por que desprezamos o Sagrado que nos escolheram e estão nos protegendo?
Não podemos fazer comparativos entre as forças dos nossos Orixás, dizendo que “o meu é melhor que o seu”, porque todos têm suas funções, ações, forças, estruturas, realizações, qualidades, etc.. O que seria da força de Ogum, para abrir os caminhos, se não existisse a força de Omulú para paralisar ou finalizar os pensamentos negativados demandados contra nós? O que seria da geração de Yemanjá, provendo condições melhores em nossas vidas, se Nanã não decantasse as nossas frustrações?
Com estes questionamentos, como podemos afirmar que o “Meu Orixá é melhor que o seu”? Todos nossos Pais e Mães Orixás têm suas qualidades e se completam em uma grande força quando unidos, formam um TUDO e um TODO onde podemos, ainda, visualizar que existe um relacionamento e até mesmo uma “dependência” na atuação de um para o outro. É uma visão muito pequena achar que o Orixá que rege a minha coroa e muito mais importante do que o que rege a coroa do meu irmão.
Em primeiro lugar, nós somos escolhidos por nossos Pais e Mães Orixás. Em segundo lugar, TODOS nós temos uma missão para cumprir e os nossos Pais e Mães Orixás estão nos auxiliando nesta caminhada, tarefa, esta, que é bem difícil para Eles. Geralmente ficam nos mostrando os caminhos que devemos percorrer, bem como, o que devemos fazer, mas na maioria das vezes não escutamos, não percebemos e não sentimos, pois estamos tão preocupados com nossos “pobres” pensamentos julgando os Pais e Mães Orixás de nossos irmãos, achando que podemos ser mais importantes ou melhores só por que não temos o mesmo Orixá na coroa, que não conseguimos perceber ou ouvir o que eles estão tentando nos mostrar ou dizer.
Então meu irmão, não se sinta mais ou menos importante diante daquele que possui um Pai ou Mãe Orixá diferente do que possui em vossa coroa, sinta sempre o Orgulho de ter sido escolhido por Ele e por Ela, deixe que as essências de vosso Pai e Mãe Orixá atuem em vossa vida. Não pratique a difamação dos Sagrados, não se esconda da vossa essência, não vire as costas para àqueles que lhe escolheram como filho (a). Sejamos no mínimo, bons filhos (as), respeitando e cultuando as forças daqueles que nos sustentam.
Não diga: O MEU ORIXÁ É MELHOR QUE O SEU, mas
Diga assim: OS NOSSOS ORIXÁS SE COMPLETAM NA ESTRUTURA DE DEUS.


Retirado de http://www.seteporteiras.org.br/artigos/106-meu-orixa-e-melhor-que-o-seu.html

quinta-feira, 1 de março de 2012

Pelas encruzilhadas da Vida

Pelas encruzilhadas da Vida quem guia os meus olhos e meu coração é a Luz emanada pelos Orixás...

Sempre que posso relembro aos meus filhos de corrente que o fato de vestirmos o branco não nos exime das responsabilidades, dores e alegrias do cotidiano. O fato de nos reunirmos semanalmente para o atendimento ao próximo não nos exime de também precisarmos de ajuda e de buscarmos orientação e modificação.

Parece tão óbvio, mas não é. Não raro ouvi médiuns falarem: "mas continuo com problemas; minha vida não muda; ainda encontro dificuldades para isso ou aquilo, mesmo tendo entrado na Umbanda; achei que depois que vestisse o branco tudo ia mudar". Pois é...

O fato é que nós também temos que fazer a nossa parte. O axé, a reza, a luz da vela...tudo isso tem um fundamento e um potencial magístico sim, mas nós temos que nos orientar à mudança, ao desapego, a reflexão, ao desafio cotidiano de melhorar nosso íntimo. Transformar, mudar, evoluir...seguir o fluxo que a Vida nos indica, isso é o milagre e isso é o mérito de desenvolvermos nossa mediunidade e, principalmente nossa espiritualidade.

Gosto quando ouço um médium ou um consulente falando: o que foi dito me fez pensar; depois que entrei na Umbanda vejo a vida de outra forma...gosto porque mostra que o foco dessa pessoa está mudando. Deixando de ser apenas para o pedido, a lamentação, passando para a transformação tão aguardada pelos planos mais sutis do Espírito - ou, em outras palavras: "tão aguardada pela egrégora espiritual e evolutiva de cada Espírito". Como todo aprendizado ocorre em etapas, também em etapas nossos pedidos vão sendo depurados e nossos objetivos vão se iluminando. Mas frizo que essas etapas devem ocorrer...pois disso decorre também a evolução das Casas de Fé e da própria religião.

A Umbanda não acontece apenas nas esferas espirituais que conhecemos, mas também em altos graus de consideração astral. Nós Umbandistas somos responsáveis, inclusive, por ajudar nossa religião à caminhar rumo à esses patamares. E isso ocorre por nossa postura em todos os sentidos. Nossa religião evolui a medida que, nós, seguidores, também evoluímos.

Orientar para o Bem, ensinar os mais novos os fundamentos, ajudar aos nossos irmãos e filhos de fé a questionar, comentar - falar sobre sua religião, sobre sua mediunidade, com respeito e sinceridade, ajudar a transpor os conceitos de amor, fé e caridade para o dia a dia...levando o melhor da Umbanda, dos ensinamentos de nossos mentores para nossa Vida real, desafiadora...isso também é função das Casas do Axé. Isso também é função do médium umbandista: levar para sua jornada a espiritualidade e não apenas a mediunidade.

Médiuns todos somos - por definição; mas espiritualizados, nem todos somos. Nossa religião precisa de seguidores espiritualizados, orientadores de seus próprios caminhos...pessoas que assumam a dificuldade de se viver encarnado, mas com a certeza de que os Divinos Orixás vão lhe despertar as forças necessárias para transpor os obstáculos e que o conhecimento ofertado pelos Mentores serão o alento e a semente de sentimentos mais nobres, lentes para enxergar o mundo interior e exterior no tempo de Oyá.

Nossa religião é muito bonita, assim como a luz de Oxum; nossa religião é grande, universalista, nela cabem todos os filhos de Zambi, assim como no coração de Iemanjá; ela é alegre como a risada dos Êres e as cores de Oxumaré; a Umbanda manifesta a sabedoria da Vida, própria dos que ja vieram antes e já trilharam sua própria jornada, como nos ensinam os mais velhos, nossos amados Tatas, à exemplo de Nanã e Omulu. Nossa religião é forte e destemida como Ogum e Iansã, mas também sabe ser justa e equilibrada como Xangô. A Umbanda nos proporciona a cura de nossa alma seja pelas folhas de Oxóssi, pelas raízes de Obá ou pelo modelo de humildade dos Pretos Velhos... ela, a religião é, portanto, plena realização da Fé de Oxalá...

o questionamento que deixo é a respeito de nós...a religião precisa de nós para sua manifestação...como será que temos feito isso? qual o uso que temos dado às Casas de Fé que frequentamos, qual a função que estamos atribuindo aos Pais, Mães de Santo e médiuns de Umbanda? e, por fim, qual a finalidade e uso temos dado ao fato mediúnico?

ao acolher nossas respostas, observando-as e refletindo sobre, poderemos ter uma idéia do que estamos fazendo da nossa Vida e da Umbanda em nossa vida...

Boa reflexão à todos!
Com carinho e axé,
Nelly