quinta-feira, 1 de março de 2012

Pelas encruzilhadas da Vida

Pelas encruzilhadas da Vida quem guia os meus olhos e meu coração é a Luz emanada pelos Orixás...

Sempre que posso relembro aos meus filhos de corrente que o fato de vestirmos o branco não nos exime das responsabilidades, dores e alegrias do cotidiano. O fato de nos reunirmos semanalmente para o atendimento ao próximo não nos exime de também precisarmos de ajuda e de buscarmos orientação e modificação.

Parece tão óbvio, mas não é. Não raro ouvi médiuns falarem: "mas continuo com problemas; minha vida não muda; ainda encontro dificuldades para isso ou aquilo, mesmo tendo entrado na Umbanda; achei que depois que vestisse o branco tudo ia mudar". Pois é...

O fato é que nós também temos que fazer a nossa parte. O axé, a reza, a luz da vela...tudo isso tem um fundamento e um potencial magístico sim, mas nós temos que nos orientar à mudança, ao desapego, a reflexão, ao desafio cotidiano de melhorar nosso íntimo. Transformar, mudar, evoluir...seguir o fluxo que a Vida nos indica, isso é o milagre e isso é o mérito de desenvolvermos nossa mediunidade e, principalmente nossa espiritualidade.

Gosto quando ouço um médium ou um consulente falando: o que foi dito me fez pensar; depois que entrei na Umbanda vejo a vida de outra forma...gosto porque mostra que o foco dessa pessoa está mudando. Deixando de ser apenas para o pedido, a lamentação, passando para a transformação tão aguardada pelos planos mais sutis do Espírito - ou, em outras palavras: "tão aguardada pela egrégora espiritual e evolutiva de cada Espírito". Como todo aprendizado ocorre em etapas, também em etapas nossos pedidos vão sendo depurados e nossos objetivos vão se iluminando. Mas frizo que essas etapas devem ocorrer...pois disso decorre também a evolução das Casas de Fé e da própria religião.

A Umbanda não acontece apenas nas esferas espirituais que conhecemos, mas também em altos graus de consideração astral. Nós Umbandistas somos responsáveis, inclusive, por ajudar nossa religião à caminhar rumo à esses patamares. E isso ocorre por nossa postura em todos os sentidos. Nossa religião evolui a medida que, nós, seguidores, também evoluímos.

Orientar para o Bem, ensinar os mais novos os fundamentos, ajudar aos nossos irmãos e filhos de fé a questionar, comentar - falar sobre sua religião, sobre sua mediunidade, com respeito e sinceridade, ajudar a transpor os conceitos de amor, fé e caridade para o dia a dia...levando o melhor da Umbanda, dos ensinamentos de nossos mentores para nossa Vida real, desafiadora...isso também é função das Casas do Axé. Isso também é função do médium umbandista: levar para sua jornada a espiritualidade e não apenas a mediunidade.

Médiuns todos somos - por definição; mas espiritualizados, nem todos somos. Nossa religião precisa de seguidores espiritualizados, orientadores de seus próprios caminhos...pessoas que assumam a dificuldade de se viver encarnado, mas com a certeza de que os Divinos Orixás vão lhe despertar as forças necessárias para transpor os obstáculos e que o conhecimento ofertado pelos Mentores serão o alento e a semente de sentimentos mais nobres, lentes para enxergar o mundo interior e exterior no tempo de Oyá.

Nossa religião é muito bonita, assim como a luz de Oxum; nossa religião é grande, universalista, nela cabem todos os filhos de Zambi, assim como no coração de Iemanjá; ela é alegre como a risada dos Êres e as cores de Oxumaré; a Umbanda manifesta a sabedoria da Vida, própria dos que ja vieram antes e já trilharam sua própria jornada, como nos ensinam os mais velhos, nossos amados Tatas, à exemplo de Nanã e Omulu. Nossa religião é forte e destemida como Ogum e Iansã, mas também sabe ser justa e equilibrada como Xangô. A Umbanda nos proporciona a cura de nossa alma seja pelas folhas de Oxóssi, pelas raízes de Obá ou pelo modelo de humildade dos Pretos Velhos... ela, a religião é, portanto, plena realização da Fé de Oxalá...

o questionamento que deixo é a respeito de nós...a religião precisa de nós para sua manifestação...como será que temos feito isso? qual o uso que temos dado às Casas de Fé que frequentamos, qual a função que estamos atribuindo aos Pais, Mães de Santo e médiuns de Umbanda? e, por fim, qual a finalidade e uso temos dado ao fato mediúnico?

ao acolher nossas respostas, observando-as e refletindo sobre, poderemos ter uma idéia do que estamos fazendo da nossa Vida e da Umbanda em nossa vida...

Boa reflexão à todos!
Com carinho e axé,
Nelly

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Canção para a Mãe do Mar

Essa foi feita no dia 02 de fevereiro...
***


Em tempo...uma canção e uma reza pra Mãe do Mar:

Senhora Sereia, encantada yara, amor que semeia a vida e a paz.

Tu que também é Maria, mareia meu caminhar.
...
Linda cabocla que mora no mar, olhai por meus caminhos, meus irmãos e meus filhos, e, as dores de amar.

Olhai, doce Senhora, pra essa filha do Mar, abençoa meu destino, a minha vontade no Bem e, se possível, viva, lúcida e límpida a luz do meu pensar mantém.

Salve a Mãe de todos nós...Odoyá!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A Casa de Todos

O hábito de estudar sobre a espiritualidade é algo que passei a
cultivar com o tempo. Com isso e com o passar dos anos e de algumas
experiências fui percebendo que nessa busca de clareza apagamos parte
daquele brilho que nossa alma já traz que é a espiritualidade
espontânea, simples e verdadeira dos primeiros tempos, passamos pois a
sermos racionais – às vezes em demasia.
O exercício da Umbanda com sua Universalidade própria, com seu formato
amplo e múltiplo não permite que criemos “verdades para todo o
sempre”. A Umbanda é maleável, flexível, todos os espíritos cabem
nela. É a “Casa de Todos”, Vó Benedita ensinou. Nela nossos paradigmas
são revistos constantemente a tal ponto que às vezes nos sentimos
perdidos, confusos. Cada vez que penso ter certeza de algo, vem a Espiritualidade e me coloca em situações diferentes, inovadoras que me ajudam e ser mais flexível, humilde e simples (mesmo quando não quero ou não espero por isso rsrsrs). Vejo que as Entidades nos ensinam a usar
conceitos, ritos e princípios de modo a ampliar nossa visão de mundo.
Aprendendo que tudo é possível, pois o veículo imaterial do espírito -
o pensar se estende a esferas que não alcançamos conscientemente, isso
pela própria densidade de nosso estado na matéria (corpo físico). O
incerto e o improvável tornam-se possíveis quando o assunto é
desenvolvimento mediúnico e espiritual. Isso me faz lembrar o que um
Caboclo me falou uma vez: tudo o que seu pensamento é capaz de
conceber, existe e tem eco em algum lugar do Universo.
Cada um – encarnado ou não é a manifestação do mistério a que chamamos
Zambi (Deus) a se desdobrar em múltiplas faces, cores e histórias.
Cada Linha de Trabalho é um mistério em si, assim como cada
situação que chega ao Templo nas noites de atendimento...também como a
lente individual com a qual enxergamos a espiritualidade e sua atuação
na Terra e assim por diante.
Jamais entenderemos o brilho do olhar que um Preto Velho expressa ao
fazer o sinal da cruz em nossa fronte ou mesmo saberemos quais esferas
a dança ritual da Cabocla Jurema alcança, nem que lutas estão sendo
travadas contra o mal, entre a gargalhada do Exu e o giro da
Pombagira. Nem fazemos idéia do que uma vela no cruzeiro das Almas limpa em nossa própria alma. Não temos ainda sabedoria ou desprendimento ou o que quer
que seja necessário para entender esses mistérios divinos, mas podemos
observar o Bem que eles podem causar, os sentimentos que reorientam e
refinam em nós. Isso por enquanto basta ao meu espírito.
Por isso, aos que me perguntam sobre o que é importante
estudar para ser um bom médium eu digo: leia livros sim, não só sobre Umbanda, mas sobre espiritualidade - valorize a leitura que enobrece a alma; leia as
entrelinhas do que as Entidades nos ensinam, ouça, observe, reflita, questione e dialogue sempre que for possível; mas jamais deixe de aprender a ler a
si mesmo. Porque é no nosso interior que estão as principais respostas
para o entendimento da Vida que habita dentro e fora de nós. É lá que Zambi fez sua morada e é lá que nos reencontraremos com Ele novamente.

Axé!
Nelly

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O milagre da fé

Já diria Vinicius: "Pois para isso fomos feitos: para a esperança no milagre".

Não há como viver sem esperança, sem a espera, sem a noção de que há alguém ou algo acima de nossas - às vezes - tão minguadas forças. É inerente ao ser encarnado a relação com o sagrado e com o mítico. Creio que isso seja parte de nossa energia ancestral, oriunda de tantas idas e vindas pelo Universo afora - memórias inconscientes da divindade que carregamos em nossa essência.

Na Umbanda podemos chamar essa esperança de fé, essa última, que é a virtude maior de nosso Pai Oxalá e que sustenta e dá força para todos os demais Tronos de Deus. A fé manifestada pelo pano branco das vestes de nosso Mestre, pela paz que sua vibração nos traz...Oxalá nos ensina que é preciso fé em todos os campos da Vida e da Morte. Fora da manifestação religiosa também ensinada por Oxalá, há que ter um principio maior em tudo o que se faz e sente: fé. Essa crença irracional condenada por tantos, mas que sempre fala mais alto nos desatinos da Vida.

Todos os nossos amados Orixás manifestam parte dessa Fé de Oxalá. Você ama com a pureza de Oxum se existe fé no ser amado. Você busca ser justo se tem fé em seus princípios. O conhecimento de Oxóssi só se consolida se você tem fé no que observa e no que vive. Você só evolui com a serenidade de Nanã se já provou da fé de que tudo é transitório. Você gera a Vida de Iemanjá se tiver fé de que é possível recomeçar a todo instante. Você só aceita as duras provas de Ogum e Iansã se tiver fé de que existe uma Lei Maior que a tudo direciona e ordena.
Fé, acreditar, manifestar, ser...o tão esperado milagre da Vida Maior.

A amplidão da Fé de Oxalá, nos ensina que nós somos o milagre.
Uma amada mentora me disse uma vez que eles não perdem a Fé em nós. Por isso nos orientam, intercedem e vibram tanto por nossas vitórias e, de forma tão paciente e amorosa.
Nós somos o milagre divino da fé manifestados na Terra. Nossa vida é a esperança de que é possível transformar, evoluir, gerar, amar, equilibrar, construir, conhecer...ser...porque para isso é que fomos feitos!

Cada vez que conseguimos melhorar algo em nós, ampliamos mais a noção íntima de fé naquilo que é possível e verdadeiro, ampliamos nosso sentimento de que Deus vive em todos nós. Por isso é que jamais devemos perder a chance de ajudar quem quer que seja...inclusive a nós mesmos. Pois essa ação de caridade também é uma ação de fé.

"Aquilo que os 'fios' chamam de milagre, a preta véia chama de 'ôceis' mesmo..." e, eu na minha tentativa de entender o que é a fé, chamaria de VIDA!

Salve a Fé de Oxalá!
Salve Deus em todos nós!
Saravá!
Nelly

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Oração do Amanhecer - São Fracisco

Senhor! No silêncio deste dia que amanhece, venho pedir-te a paz, a sabedoria, a força.

Quero olhar hoje do mundo com os olhos cheios de amor; ser paciente, compreensivo, manso e prudente.

Quero ver os meus irmãos além das aparencias, que vê-los como tu mesmo os vês, e assim não ver senão o bem em cada um.

Cerra meus ouvidos a toda calúnia. Guarda minha língua de toda maldade.

Que só de bênçãos se encha o meu espírito.

Que eu seja tão bondoso e alegre, que todos quantos se achegarem a mim sintam tua presença.

Reveste-me de tua beleza, Senhor, e que no decurso deste dia eu te revele a todos.

Que assim seja!

Voltando...

Caros amigos,

Finalmente, após um jejum nas postagens, estou voltando! rs. A vida do lado de cá anda num galope só, mas estou tentando aliviar o passo e admirar a paisagem.

Andei tendo algumas surpresas sobre a divulgação desse espaço, algumas pessoas elogiaram as mensagens e, eu que nunca tinha pensando no alcance do blog, me espantei e, confesso que fiquei feliz e um pouco acanhada. Isso porque percebi a importância das palavras lançadas...como diria Carlos Drummond de Andrade:


"Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.

Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.

Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra."

*** se o poeta diz que a sua procura será sua palavra mágica, eu, digo: que a minha vida seja minha palavra mágica. Gostaria de fazer minha vida ser a ação do que minhas palavras emanam...e assim, construir meu íntimo com a paz e a sabedoria que aprendo nas palavras de nossos amados Mentores e, assim -a cada novo dia - encurtar a distância entre a idéia que a palavra traz e sua ação na vida, na minha vida infinita.

Com carinho e muito axé!
Nelly

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Faz da tua vida uma prece permanente - parte II

Caros Amigos,
Repasso uma pequena orientação de uma amiga espiritual:

"Somente por um dia consagre tua Vida a Zambi.
Ao acordar, eleva teu pensamento e oferece o seu dia, apenas esse dia, para que Zambi se manifeste através de ti, de teus atos e de tuas palavras. Peça que mesmo nas tuas dificuldades e dúvidas, ele se manifeste, neste dia. Oferece teu corpo físico e espíritual como Templo Divino. Ama-os, cuida-os, pois são consagrados à Zambi, neste dia. Neste dia aceita o que ocorre em tua Vida, pois tudo é Zambi a se manifestar para e por ti...E assim, ao fim do dia, ao retirar-se para o sono conciliador, agradece por esse dia tão especial e oferece o teu descanso à Ele.

Para muitos é dificil pensar em consagrar a sua Vida à Zambi. Não é preciso oferecer toda a sua Vida...mas talvez um dia de cada vez...e assim, feito as contas de um rosário, vai alinhando seus dias e Zambi em seus dias...e faz da tua Vida uma prece permanente."

Salve a Luz dos Pretos - Velhos!

Abraços com muito Axé,
Nelly

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Faz da tua vida uma prece permanente

Queridos amigos,

hj cedo tive acesso a essa mensagem e fiquei imensamente emocionada com seu conteúdo, pois ele tem muita relação com um "conselho" que Vó Benedita passou pra mim dia desses: " faz da tua vida uma prece permanente..."...

diante de nossos corações ainda tão imaturos perante a Vida Maior, não há como não se emocionar com os ensinamentos tão simples, profundos e amorosos de nossos queridos mentores.

com muito orgulho de ser Umbandista, repasso...

Muito axé a todos!
Nelly

Mensagem transmitida por Pai Benedito de Aruanda, por meio de seu médium, Alexandre Cumino.

Salve meus filhos!
Salve Deus!
Salve Nosso Senhor Jesus Cristo!
Salve todos os Orixás!

Esse Nego Velho é um velho rezador.
Aprendeu a fazer as coisas, rezando.
Tem muita coisa que se pode aprender na Umbanda.
Mas de todas, a primeira é aprender a rezar.
Não é mesmo?

Você pode rezar uma reza conhecida.
Mas a melhor, é aquela que fala no seu coração, em Deus.
Tudo que se faz, se faz um firmador em Deus.

Se acorda, acorda com Deus.
Se toma um café, toma com Deus.
Se trabalha, trabalha com Deus.
Se tem um momento para se divertir, agradece a Deus.
E assim, se vai rezando. Não é mesmo?

Quando perceber que está fazendo alguma coisa
E não tem nada mais para pensar. Vai rezando.
Vai se demorando a passar o tempo.
Vai se demorando para dormir.
Então, se vai rezando até que durma.
Se está esperando alguém
E esse alguém não chega. Vai rezando.

Porque ninguém, realmente, pode dizer,
Em algum momento da vida,
Que não tem o que fazer.
Porque sempre tem o que fazer, meus filhos.
E quando não tiver o que fazer, vai rezando.
Que é para não ficar desocupado. Não é mesmo?
Porque a cabeça desocupada, não é coisa muito boa.

A não ser que se esteja esvaziando a mente, na fé.
No momento que parar os pensamentos,
Deus é uma presença.
Então, é isso que "suncês" fazem, quando dizem:
"Salve sua retirada".

Sentar, meditar, também é uma reza.
Porque é uma reza que fala com Deus,
Para além das palavras. Não é isso mesmo?

Porque quando esvazia a mente,
Mas ainda assim, o coração está em Deus,
Então, é uma reza poderosa,
Que pode mudar a vida de uma pessoa.

E antes de querer mudar o mundo,
Antes de querer mudar a vida dos outros,
Há de se querer mudar a própria vida.
Não é mesmo?

Porque o outro só muda, se você mudar.
Se você não muda, então não há de pensar
Que vai mudar alguma coisa fora de você,
Se dentro continua tudo a mesma coisa.

E quando você descobrir a mudança para melhor,
Então, não precisa mais se preocupar
Em querer mudar o mundo, também.
Porque aquele que muda para melhor,
Já olha o mundo com outros olhos.


Cada um vê o que quer.
Onde um vê sofrimento e dor,
O outro vê oportunidade de crescimento,
De aprendizado, de lição, de paciência,
De resignação.

Se a vida é sofrida,
Então, há de se pensar que a vida são muitas.
E que melhor uma vida sofrida, com resignação,
Do que muitas vidas desperdiçadas na revolta.

Porque um coração revoltado, às vezes, vira pedra
E desperdiça duas, três vidas...
Mas um coração resignado,
É aberto para outras vidas melhores.

Se não fosse assim, não tinha Preto Velho, na Umbanda.
Não é mesmo?
Se tem cá, a Linha dos Velhos, escravos que foram,
É para ensinar que a libertação maior, não é do corpo.
A libertação maior é do seu querer,
Da sua alma, do seu espírito.

Porque há lugares que um bom coração
E uma alma em Deus, podem ir,
E que as pernas jamais poderão lhe levar.

Com dor ou sem dor,
Com sofrimento ou sem sofrimento,
Numa condição difícil ou fácil,
Todo mundo vai ficar velho e vai morrer.

Então, que se aprenda que,
Se dessa vida alguma coisa se leva,
É um bom sentimento.

Porque se a vida não é igual de uns para os outros,
É porque, mesmo que você não conheça os motivos,
Cada um antes de chegar aqui, veio de um lugar diferente.
Porque todos são iguais e ao mesmo tempo, são diferentes.

Cada um é um, e todos ao mesmo tempo, também são um.
Porque Deus é um, mas muitos são os seus filhos.
Que juntos, também são um.
Mas enquanto não conseguirem se juntar,
Continuam sendo muitos.

Porque se Deus é um, uma verdade e uma única vida.
As diferenças que nós mesmos criamos, é o que separa.
E é o que carrega a dor.
E que carrega de uma vida para outra.

Então, se não se conhece os motivos e a razão,
Das dores que se carrega,
É melhor cada um fazer o melhor que pode,
Para não aumentar ainda mais, essa dor.
Porque a revolta só faz aumentar a dor.

A sabedoria do Preto Velho, não pertence a ele.
Pertence a Deus.
Quem tem fé e crê, sempre encontrará boas respostas,
Para cada problema da vida.
Quem não tem, nenhuma resposta serve.
Então, é só fazer a sua opinião.

Cada um tem a oportunidade de escolher.
Não exatamente qual vida e qual situação.
Não agora, mas escolheu ser quem é.
Mas ainda assim, pode escolher crer ou não crer.
Então, quem crê, há de se viver melhor
Um dia atrás do outro, independente do que aconteça,
Com fé.

Que assim seja, meus filhos!
Deus abençoe vocês!
Enquanto isso, é melhor a gente ir
Cantando e dançando. Não é mesmo?
Tocando os atabaques e cantando para Deus.
Porque se a gente pode ter fé,
Cantando e dançando, então, é melhor ainda.
Não é mesmo, meus filhos?

Porque se Deus é bom, tudo que se faz de bom,
Há de ser de Deus, também. Não é mesmo?

Salve suas forças!
Deus abençoe!

Quer mudar o mundo? Então comece por si mesmo!


O contato com a espiritualidade é realmente mágico. As Entidades olham pra nós e sempre tem um sorriso, um afago, um conselho ou uma vela pra nos guiar. Dentro do Terreiro: luzes, sons, sabores...sensações diversas e novas. Fenômenos surreais, experiências únicas, belíssimas, de amor, humildade e caridade...Tudo uma surpresa, uma novidade, que alimenta nossa Fé e nossa Admiração (e, que às vezes alimenta nosso ego... ).

Contudo, com o tempo, os próprios guias vão nos orientando (para nosso amadurecimento) para novos rumos dentro da espiritualidade. Rumos que ultrapassem o fenômenico, que ultrapassem a necessidade humana de atribuir ao outro suas próprias responsabilidades. Eles passam a nos convidar à mudança. Que na minha parca experiência de Vida, é o que realmente importa dentro de qualquer trabalho espiritualista.

Mudança, sim. Pois, o universo é regido por uma permanente transformação. E, lembremos: fazemos parte dele. Não estamos fora de toda a energia que gera e mantém o Universo. Nós somos parte dele. Portanto, suscetíveis à mesma eterna transformação.

Quando nos apegamos em demasia as dores, as situações, as pessoas, as crenças...criamos um ciclo do qual nem sempre conseguimos nos libertar...pois estamos indo contra o movimento que nos impulsiona para a frente, para novas experiências, novos patamares de entendimento da Vida.

E isso acontece quando teimamos e insistimos em ver a vida com os olhos da culpa, do julgamento, do controle, do vitimismo, da manipulação, da negatividade, dentro do eterno maniqueísmo ocidental e assim por diante. Nos apegamos...e, fugimos.

A experiência espiritual deve servir a que nossos olhos se abram para a verdade (a verdade de nosso espírito), que nossos corações se fortaleçam para as decisões...para que assumamos o tal do livre arbítrio - que todo mundo cita, mas que a maioria não tem coragem de usar por si, com responsabilidade e consciência. E, em sendo assim, atribuindo aos guias, a Deus e ao restante do mundo a responsabilidade por sua própria vida.

As experiências na espiritualidade são para nos fortalecer na experiência da carne. Momento de reorientar nossa Vida terrena. E, não como uma fuga de nossas batalhas cotidianas.

Vestimos o branco, rezamos, uns incorporam, uns enxergam planos, outros ouvem, outros pressentem, um grande número tem intuições...ótimo! mas não vamos fazer dos fenômenos o grande alimento da nossa espiritualidade. Muito menos da condição mediúnica a grande fuga de nossas dúvidas e dívidas... a vida lá fora continua...vamos organizar nossa vida, nossas escolhas...vamos buscar por nossa Paz, por nossa Cura, por nossa Felicidade! E por tudo aquilo que nos faz pessoas melhores, nem que seja só para nós mesmos...

Mediunidade não é sinônimo de sofrimento, nem de sabedoria.

Contrariamente, sempre aprendi que mediunidade é, apenas, um dos instrumentos da espiritualidade; sendo, portanto, plataforma para transformação! E, para ser tranformação, tem que ter verbo e tem que ter ação...tem que ter a magia natural da Vida sendo orientada para o melhor de nós, mesmo que isso não traga nenhum reconhecimento alheio.

Não é o mundo que tem que mudar, somos nós. E temos que mudar por nós mesmos...a espiritualidade nos auxilia, mas as decisões serão sempre nossas.

Enfim, como diria nosso grande amigo Gandhi, “é melhor que fale por mim a minha Vida, do que minhas palavras.”

Filho de Umbanda que compreende ou que, pelo menos, busca esse entendimento, aprende a fazer do Terreiro espaço verdadeiramente sagrado: lugar e momento de aprender a se transformar; de reorientar sua Vida; de fortalecer e aprender a exercer sua Missão Mediúnica junto a Seara Divina; onde o silêncio, o olhar, o sorriso, as palavras e as ações são verdadeiramente preces; pedaço da Aruanda na Terra e em nossos corações.

Com carinho e muito axé,
Nelly












segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Igualdade

"...Que possam os irmãos todos se convencerem do pertencimento a Deus e a humanidade.
É tão fácil dizer que o homem compreende que todos nascem em igualdade.
Mas é tão difícil dizer que todos os homens nascem iguais, é difícil reconhecer isso meus amigos.
Os status sociais, os comportamentos sociais, as diferenças sociais fazem com que os irmãos se distanciem uns dos outros.
É tão forte, nesse momento, a imunossupressão que os irmãos sofrem todos os dias nos centros urbanos, que eu não sei quem está mais isolado, se aquele homem que vive numa montanha ou os irmãos nesse azáfama das ruas movimentadas dos centros urbanos."
Leocádio José Correia