terça-feira, 14 de agosto de 2012

DEZ BONS CONSELHOS PARA O TRABALHO ESPIRITUAL


Obrigada Itamar Lakota!
Axé!


DEZ BONS CONSELHOS PARA O TRABALHO ESPIRITUAL

1. Não se desconectar da matéria. O excesso de espiritualismo pode criar uma descompensação com graves prejuízos para a vida pessoal e material de uma pessoa. A matéria é tão importante quanto o espírito; ambos são matizes, graus da mesma manifestação. Nenhum dos dois pode prevalecer sobre o outro.
ANTÍDOTO: EQUILÍBRIO.

2. Não despertar os poderes antes da consciência. Os poderes estão a serviço da consciência. Não é preciso buscá-los; quando chega o momento, eles surgem naturalmente. Buscar o poder antes do saber é inverter a ordem natural do processo. Para que sirvam a consciência, os poderes devem ser doados a partir de algo além de nossa vontade.
ANTÍDOTO: EQÜANIMIDADE.

3. Não fixar-se em pessoas em vez de em suas informações. Você não monta uma casa em um túnel. Ele é só um meio para se chegar até ela. Quem depende de um mestre volta à infância psicólogica. Em um processo de iniciação ou terapêutico isso pode ser necessário, mas somente como uma fase a superar, e não como um estado onde parar.
ANTÍDOTOS: DISCERNIMENTO E MODERAÇÃO.

4. Não sentir excesso de autoconfiança. Quem se crê autosuficiente é uma presa fácil para os agentes do engano e não raro se vê envolvido por eles. Quem crê demais na própria capacidade está fadado a equivocar-se.
ANTÍDOTO: DESCONFIAR DE SI MESMO.

5. Não sentir-se superior. Nunca julgue que a própria linha de trabalho é superior às demais. Essa superioridade é a antítese do esoterismo, que afirma justamente a onipresença da consciência em todos os seres e caminhos. Essa postura desconecta uma pessoa das autênticas correntes da consciência amplificada, e é o ponto de partida para a via negra.
ANTÍDOTO: EQÜIDADE.

6. Não deixar-se levar por impulsos messiânicos. A vontade de salvar os demais é uma armadilha fatal. Sua tela de fundo é a vaidade e a insegurança. Essa fobia paranóica rompe com os canais de conexão com o mestre interior, bloqueia o processo de autoconhecimento e lança a espiritualidade numa espiral involuta, além de inibir o direito ao “livre-arbítrio de cada um”.
ANTÍDOTO: CONFIANÇA NA EXISTÊNCIA.

7. Não tomar medidas inconseqüentes. O entusiasmo pode levar uma pessoa a romper com seu círculo profissional e familiar sem necessidade. Com o “fluir” ou o “fechar os olhos e saltar” — axiomas que só deveriam ser usados em situações muito especiais —, os idiotas mais entusiasmados do mundo esotérico incentivam os recém-chegados a se arrebentarem logo na largada.
ANTÍDOTO: RESPONSABILIDADE SERENA.

8. Não agir com demasiada rigidez. Encantada com as novas informações que lhe ampliam a consciência, uma pessoa pode-se tornar intolerante. Ela tem a tentação de impor sua forma de pensar e seus modelos de conduta aos demais. Limitando sua capacidade de ver a partir de outras perspectivas, ela perde o acréscimo de consciência que havia conquistado.
ANTÍDOTO: TOLERÂNCIA E RELAXAMENTO.

9. Não se dispersar. Estudar ou praticar demasiadas coisas ao mesmo tempo sem aprofundar-se em nenhuma delas leva a uma falsa sensação de saber. Nessa atitude, pode-se passar uma vida inteira andando em círculos, enquanto se faz passar por um sábio.
ANTÍDOTO: CONCENTRAÇÃO.

10. Não abusar. Manipuladas, as informações espirituais servem de álibis ou justificativas convincentes para os piores atavismos. Usar essas informações para fins muito particulares é um crime. Ninguém profana impunemente o que pertence a todos.
ANTÍDOTO: RETIDÃO E INTEGRIDADE.

Equilíbrio, eqüanimidade, discernimento e moderação, eqüidade, tolerância e relaxamento, confiança na existência, responsabilidade serena, desconfiança de si mesmo, concentração, retidão e integridade são a grande proteção daquele que se aventura pelo mundo espiritual e esotérico. Por outro lado, quem se assegura dessas qualidades pode fazer o que quiser nesse campo que estará sempre num bom caminho.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Vamos sair da ignorância em nome dos Orixás - por Alexandre Cumino

Gostei muito do texto abaixo...
Fé e Paz a todos!
Abraços,
Nelly

Vamos sair da ignorância em nome dos Orixás - por Alexandre Cumino

De tempos em tempos, aparece algum caso de crime relacionado com Magia Negativa, associado ao mal, chamado vulgarmente de Magia Negra.
De tempos em tempos, vemos associarem alguns destes crimes à Umbanda, ao Candomblé ou aos Cultos Afros em geral.
São crimes bárbaros, macabros mesmo, com mortes de crianças e estupros, motivados pelo que há de pior e mais baixo no ser humano.

Enquanto nós ficamos aqui dizendo que isto não tem nada a ver com Umbanda, Candomblé e Cultos Afros;
os criminosos, presos, se identificam com estas nossas amadas religiões e ainda dizem fazer pactos com satã, demônio,
quando não colocam os nomes sagrados de nossos guias e orixás no meio de seus crimes hediondos e passionais.

SABEMOS que nossa religião é linda, que não faz pactos, que não existe demônios em nossos cultos.

Há anos, venho batendo na mesma tecla: Umbanda é Religião e só pode fazer única e exclusivamente o bem!

Enquanto isso, pessoas que nem tem idéia do que seja religião continuam abusando de nossos fundamentos e valores de forma negativa e invertida.
O conceito sobre religião está totalmente banalizado e distorcido, qualquer um cria uma nova religião e faz o que quer com ela, esta é a verdade.

Sempre lembro a primeira definição de Umbanda dada por seu fundador, o primeiro umbandista, Zélio de Moraes e sua entidade Caboclo das Sete Encruzilhadas:
Umbanda é a manifestação do espírito para a prática da caridade!

Enquanto isso, no próprio seio da Umbanda, convivemos com praticantes que não tem a menor idéia de quem foi, ou o fez, o primeiro umbandista.
Pessoas que "dirigem" terreiros, que se denominam sacerdotes (pai de santo, mãe de santo, padrinho, madrinha…) e proíbem seus médiuns de estudar.

O medo e a ignorância são portas abertas para as trevas interiores e exteriores.
É aqui que o EGO, a vaidade e os vícios mais baixos do ser humano se instalam.

E todos os dias vemos anúncios de pessoas oferecendo "serviços" de magias negativas em nome de nossos sagrados valores,
de nossa religião, de nossos guias e orixás. Deitam e rolam com os nomes de exu e pombagira, usam e abusam.

As pessoas continuam procurando um atalho, um caminho mais fácil, para externar seu negativismo acumulado,
não querem dor, não querem crescer, não querem assumir seus atos, não querem ser conscientes, querem apenas satisfazer os sentidos viciados
no mundo das ilusões, das paixões que arrastam para atitudes emocionais animalizadas e instintivas.

Ainda se vê na figura do médium um poder de manipular vidas!
Um poder de manipular o destino, um poder que pode ser comprado, negociado.

NÃO EXISTE OUTRA SAIDA PARA A RELIGIÃO,
É PRECISO MUDAR O SENSO COMUM,
É PRECISO ALCANÇAR O INCONSCIENTE COLETIVO!!!

E A UNICA FORMA É COM EXEMPLO E NÃO APENAS COM PALAVRAS.

Um consulente pode apenas frequentar um terreiro, sem ter a mínima idéia do que seja a Umbanda.
Um consulente, um simples frequentador, pode se denominar católico, ateu, à toa e o que quiser…
Este consulente pode, sim, ele pode ser totalmente ignorante…

UM MÉDIUM NÃO PODE SER IGNORANTE!!!
UM MÉDIUM E PRATICANTE DE UMBANDA É FORMADOR DE OPINIÃO, SEMPRE!!!
O MÉDIUM É O TEMPLO DA RELIGIÃO!!! NÃO PODE SER O TEMPLO DA IGNORÂNCIA!!!

Umbanda não é e não pode ser para pessoas ignorantes.
E aqui fica bem claro o sentido e significado da palavra ignorante: aquele que ignora algo.
Não se pode praticar Umbanda de forma ignorante, sem saber o que está sendo praticado.

Quando não estamos bem, e todos passamos por momentos e períodos de negatividade, é o conhecimento, a razão, que nos mantém
dentro de limites e parâmetros seguros. O médium ignorante torna-se uma porta aberta para as trevas.

E vamos continuar vendo casos e mais casos em que a ignorância rouba, assalta, o nome da umbanda e de nossas entidades.

COMO VAMOS MUDAR ISSO???
Ignorância se vence com conhecimento e estudo…

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O médium como um apóstolo

Salve a todos!
E as reflexões não param...

Filho de Umbanda tem que viver a Umbanda e não viver pra Umbanda ou da Umbanda.
Viver a Umbanda não é se esconder atrás de Entidades ou usar delas para justificar tudo o que ocorre na sua vida material, emocional e espiritual.
Tem que saber equilibrar sua vida material com seu compromisso mediúnico.
Mentores são espíritos livres e não posse de médium. Evoluem junto com o médium em reciprocidade, mas sem o invólucro carnal.
Médiuns são zeladores das Entidades e não escravos delas. Tão pouco elas são escravas de médium.
A Umbanda é uma religião alegre que prima pela liberdade de seus filhos, sem, contudo deixar de ser espaço de atendimento a múltiplos planos e espíritos sem distinção, portanto, sua missão é das mais sérias.
Por outro lado, seu aspecto libertário e amplo de atendimento requer preparo em vários sentidos, sejam físicos, emocionais, intelectuais, morais e vibratórios.
O médium em si não tem mérito ou demérito em se saber instrumento entre os planos.
O mérito ou demérito vem no uso de suas faculdades. Essas que não simbolizam, necessariamente evolução e sabedoria; observa-se que não raro, o potencial mediúnico vem como um modo de quitação de débitos muito antigos junto a moralidade do espírito. Cabe a cada um o olhar para sua caminhada nas esferas do mediunismo com humildade e puro senso de responsabilidade diante da Lei Maior.
Tem que saber e aceitar que é médium, mas não viver da mediunidade, tem que viver é para sua espiritualidade e para a transcendência da sua consciência. Deve buscar seguir os conselhos e orientações das Entidades em sua vida, mas não fazer disso um martírio ou motivo para julgar e criticar seus irmãos.
Se o médium percebe que tem um pouco mais de repertório de experiência na seara espiritual, moral ou intelectual deve calar-se e não ostentar sua diferenciação diante daquele que aparenta ser menos experiente. Se ousar instruir um irmão que o faça com carinho e simplicidade, mas também que não lhe falte o necessário friso quanto à disciplina para tudo o que implica mediunidade e espiritualidade.
É fundamental que se desenvolva a disciplina nos centros e encontros de cunho espiritualista. Pois tudo nas esferas superiores requer proteção, ordem, equilíbrio e harmonia.
Toda reunião mediúnica é assistida por falanges de espíritos cuja missão é de relevo. Todas as reuniões sérias são preparadas com antecedência nos planos do invisível e orientadas para que possam acolher, instruir, curar, encaminhar irmãos de várias esferas. Para que isso ocorra com segurança e equilíbrio é preciso que os instrumentos físicos (médiuns) estejam em consonância vibratória no período de chamamento ao trabalho caritativo.
O médium é um pastor, um apóstolo, um sacerdote cuja missão é das mais nobres quando se sabe exemplo para todos os planos.
Por isso, deve cuidar com a imposição, dentro do trabalho espiritual, de tabus pessoais, preconceitos, filosofias de vida não consonantes com o requerido por um medianeiro da Luz, deve atentar também para mitos e mistificações.
Contudo, mesmo diante de tantas recomendações não deixa de ser uma experiência baseada na simplicidade, na liberdade e na alegria de servir.

Axé!
Nelly

Eu te compreendo


EU TE COMPREENDO - Osho

Eu sei das tuas tensões, dos teus vazios e da tua inquietude. Eu sei da luta que tens travado à procura de Paz. Sei também das tuas dificuldades para alcançá-la. Sei das tuas quedas, dos teus propósitos não cumpridos, das tuas vacilações e dos teus desânimos. Eu te compreendo...

Imagino o quanto tens tentado para resolver as tuas preocupações profissionais, familiares, afetivas, financeiras e sociais. Imagino que o mundo, de vez em quando, parece-te um grande peso que te sentes obrigado a carregar. E tantas vezes, sem medir esforços. Eu conheço as tuas dúvidas, as dúvidas da natureza humana.

Percebo como te sentes pequeno quando teus sonhos acalentados vão por terra, quando tuas expectativas não são correspondidas. E essas inseguranças com o amanhã? E aquela inquietação atroz em não saberes se amanhã as pessoas que hoje te rodeiam ainda estarão contigo? De não saberes se reconhecerão o teu trabalho, se reconhecerão o teu esforço. E, por tudo isto, sofres, e te sentes como um barco sozinho num mar imenso e agitado. E não ignoro que, muitas vezes, sentes uma profunda carência de amor. Quantas vezes pensaste em resolver definitivamente os teus conflitos no trabalho ou em casa. E nem sempre encontraste a receptivamente esperada ou não tiveste força para encaminhar a tua proposta. Eu sei o quanto te dói os teus limites humanos e o quanto às vezes te parece difícil uma harmonia íntima. E não poucas vezes, a descrença toma conta do teu coração.

Eu te compreendo... Compreendo até tuas mágoas, a tristeza pelo que te fizeram, a tristeza pela incompreensão que te dispensaram, pelas ingratidões, pelas ofensas, pela palavras rudes que recebeste. Compreendo até as tuas saudades e lembranças. Saudade daqueles que se afastaram de ti, saudade dos teus tempos felizes, saudade daquilo que não volta nunca mais... E os teus medos? Medo de perderes o que possuis, medo de não seres bom para aqueles que te cercam, medo de não agradares devidamente às pessoas, medo de não dares conta, medo de que descubram o teu íntimo, medo de que alguém descubra as tuas verdades e as tuas mentiras, medo de não conseguires realizar o que planejaste, medo de expressares os teus sentimentos, medo de que te interpretem mal. Eu compreendo esses e todos os outros medos que tens dentro de ti. Sou capaz de entender também os teus remorsos, as faltas que cometeste, o sentimento de culpa pelos pequenos ou grandes erros que praticaste na tua vida.

E sei que, por causa de tudo isso, às vezes te encontras num profundo sentimento de solidão. É quando as coisas perdem a cor, perdem o gosto e te vês envolto numa fina camada de indiferença pela vida. Refiro-me àquela tua sensação de isolamento, como se o mundo inteiro fosse indiferente às tuas necessidades e ao teu cansaço. E nesse estado, és envolvido pelo tédio e cada ação ou obrigação exige de ti um grande esforço. Sei até das tuas sensações de estares acorrentado, preso; preso às normas, aos padrões estabelecidos, às rotineiras obrigações: "Eu gostaria de... mas eu tenho que trabalhar, tenho que ajudar, tenho que cuidar de, tenho que resolver, tenho que!...". Eu te compreendo... Compreendo os teus sacrifícios. E a quantas coisas tens renunciado, de quantos anseios tens aberto mão!... E sempre acham que é pouco...

Pouca coisa tens feito por ti e tua vida, quase toda ela, tem sido afinal dedicada a satisfazer outras pessoas. Sei do teu esforço em ajudar às outras pessoas e sei que isso é a semente de tuas decepções. Sei que, nas tuas horas mais amargas, até a revolta aflora em teu coração. Revolta com a injustiça do mundo, revolta com a fome, as guerras, a competição entre os homens, com a loucura dos que detêm o poder, com a falsidade de muitos, com a repressão social e com a desonestidade. Por tudo isso, carregas um grau excessivo de tensões, de angústia e de ansiedade. Sonhas com uma vida melhor, mais calma, mais significativa. Sei também que tens belos planos para o amanhã. Sei que queres apenas um pouco de segurança, seja financeira ou emocional, e sei que lutas por ela.

Mas, mesmo assim, tuas tensões continuam presentes. E tu percebes estas tensões nas tuas insônias ou no sono excessivo, na ausência de fome ou na fome excessiva, na ausência de desejo para o sexo ou no desejo sexual excessivo. O fato é que carregas e acumulas tensões sobre tensões: tensões no trabalho, nas exigências e autoritarismos de alguns, nas condições inadequadas de salário e na inexistência de motivação, nos ambientes tóxicos das empresas, na inveja dos colegas, no que dizem por trás. Tensões na família, nas dependências devoradoras dos que habitam a mesma casa; nos conflitos e brigas constantes, onde todos querem ter razão; no desrespeito à tua individualidade, no controle e cobrança das tuas ações. Eu te compreendo, e te compreendo mesmo. E apesar de compreender-te totalmente, quero dizer-te algo muito importante. Escuta agora com o coração o que te vou dizer:

Eu te compreendo, mas não te apoio! Tu és o único responsável por todos estes sentimentos. A vida te foi dada de graça e existem em ti remédios para todos os teus males. Se, no entanto, preferes a autocomiseração ao invés de mobilizares as tuas energias interiores, então nada posso te oferecer. Se preferes sonhar com um mundo perfeito, ao invés de te defrontares com os limites de um mundo falho e humano, nada posso te oferecer.

Se preferes lamentar o teu passado e encontrar nele desculpas para a tua falta de vontade de crescer; se optastes por tentar controlar o futuro, o que jamais controlarás com todas as suas incertezas; se resolveste responsabilizar as pessoas que te rodeiam pela tua incompetência em tratar com os aspectos negativos delas, em nada posso te ajudar. Se trocaste o auto apoio pelo apoio e reconhecimento do teu ambiente, então nada posso te oferecer. Se queres ter razão em tudo que pensas; se queres obter piedade pelo que sentes; se queres a aprovação integral em tudo que fazes; se escolhestes abrir mão de tua própria vida, em nome do falso amor, para comprares o reconhecimento dos outros, através de renúncias e sacrifícios, nada posso te oferecer. Se entendeste mal a regra máxima "Amar ao próximo como a ti mesmo", esquecendo-te de amar a ti mesmo, em nada posso te ajudar.

Se não tens um mínimo de coragem para estar com teus próprios sentimentos, sejam agradáveis ou dolorosos; se não tens um mínimo de humildade para te perdoares pelas tuas imperfeições; se desejas impressionar os outros e angariar a simpatia para teus sofrimentos; se não sabes pedir ajuda e aprender com os que sabem mais do que tu; se preferes sonhar, ao invés de viver, ignorando que a vida é feita de altos e baixos, nada posso te oferecer. Se achas que pelo teu desespero as coisas acontecerão magicamente; se usas a imperfeição do mundo para justificar as tuas próprias imperfeições; se queres ser onipotente, quando de fato és simplesmente humano; se preferes proteção à tua própria liberdade; se interiorizaste em ti desejos torturadores; se deixaste imprimirem-se em tua mente venenosas ordens de: "Apressa-te!", "Não erres nunca!", "Agrade sempre!"; se escolheste atender às expectativas de todas as pessoas; se és incapaz de dar um não quando necessário, em nada posso te ajudar. Se pensas ser possível controlar o que os outros pensam de ti; se pensas ser possível controlar o que os outros sentem a teu respeito; se pensas ser possível controlar o que os outros fazem; se queres acreditar que existe segurança fora de ti, repito:

Eu te compreendo mas, em nome do verdadeiro Amor, jamais poderia apoiar-te! Se recusas buscar no âmago do teu ser respostas para os teus descaminhos, se dás pouca importância a teus sussurros interiores; se esqueceste a unidade intrínseca dos opostos em nossa vida terrena; se preferes o fácil e abandonaste a paciência para o Caminho; se fechaste teus ouvidos ao chamado de retorno; se perdeste a confiança a ponto de não poderes entregar tua vida à vontade onipotente de Deus; se não quiseste ver a Luz que vem do Leste; se não consegues encontrar no íntimo das coisas aquele ponto seguro de equilíbrio no meio de todas as tormentas e vicissitudes; se não aceitas a tua vocação de Viajante com todos os imprevistos e acidentes da Jornada; se não queres usar o tempo, o erro, a queda e a morte como teus aliados de crescimento, realmente nada posso fazer por ti.

Se aspiras obter proteção quando o que precisas é Liberdade; se não descobriste que a verdadeira Liberdade e a autêntica Segurança são interiores; se não sabes transformar a frase "Eu tenho que..." na frase "Eu quero!"; se queres que o fantasma do passado continue a fechar teus olhos para a infinidade do teu aqui e agora; se queres deixar que o fantasma do futuro te coloque em posição de luta com o que ainda não aconteceu e, provavelmente, não chegará a acontecer; se optaste por tratar a ti mesmo como a um inimigo; se te falta capacidade para ver a ti mesmo como alguém que merece da tua própria parte os maiores cuidados e a maior ternura; se não te tratas como sendo a semente do próprio Deus; se desejas usar teus belos planos de mudar, de crescer, de realizar, como instrumentos de auto-tortura; se achas que é amor o apego que cultivas pelos teus parentes e amigos; se queres ignorar, em nome da seriedade e da responsabilidade, a criança brincalhona que habita em ti; se alimentas a vergonha de te enternecer diante de uma flor ou de um por de sol; se através da lamentação recusas a vida como dádiva e como graça, não posso te apoiar.

Mas, se apesar de todo o sono, queres despertar; se apesar de todo o cansaço, queres caminhar; se apesar de todo o medo, queres tentar; se apesar de toda acomodação e descrença, queres mudar, aceita então esta proposta para a tua Felicidade: A raiz de todas as tuas dificuldades são teus pensamentos negativos. São eles que te levam para as dores das lembranças do passado e para a inquietação do futuro. São esses pensamentos que te afastam da experiência de contato com teu próprio corpo, com o teu presente, com o teu aqui e agora e, portanto, distanciando-te de teu próprio coração. Tens presentes agora as tuas emoções? Tens presente agora o fluxo da tua respiração? Tens presente agora a batida do teu coração? Tens agora a consciência do teu próprio corpo? Este é o passo primordial. Teu corpo é concreto, real, presente, e é nele que o sofrimento deságua e é a partir dele que se inicia a caminhada para a Alegria.

Somente através dele se encaminha o retorno à Paz. Jamais resolverás os teus problemas somente pensando neles. Começa do mais próximo, começa pelo corpo. Através dele chegarás ao teu centro, ao teu vazio, àquele lugar onde a semente germina. Através da consciência corporal, galgarás caminhos jamais vistos, entrarás em contato com os teus sentimentos, perceberás o mundo tal como é e agirás de acordo com a naturalidade da vida. Assume o teu corpo e os teus sentimentos, por mais dolorosos que sejam; assume e observa-os, simplesmente observa-os. Não tentes mudar nada, sê apenas a tua dor. Presta atenção, não negues a tua dor. Para que fingir estar alegre se estás triste? Para que fingir coragem se estás com medo? Para que fingir amor se estás com ódio? Para que fingir paz se estás angustiado? Não lutes contra teus sentimentos, fica do teu próprio lado, deixa a dor acontecer, como deixas acontecer os bons momentos. Pára, deixa que as coisas sejam exatamente como são.

Entra nos teus sentimentos sem os julgar, não fujas deles, não os evites, não queira resolvê-los escapando deles - depois terás de te encontrar com eles novamente, é apenas um adiamento, uma prorrogação. Torna-te presente, por mais que te doa. E, se assim fizeres, algo de muito belo acontecerá! Assim como a noite veio, ela também se irá e então testemunharás o nascer do dia, pois à noite o sol escurece até a meia-noite e, a partir daí, começa um novo dia.

Se assim fizeres, sentirás brotar de dentro de ti uma força que desconhecias e te sentirás renovado na esperança e a vida entrando em ti. Se assim fizeres, entenderás com o coração que a semente morre mesmo, totalmente, antes de germinar e que a morte antecede a vida. E, se assim fizeres, poderei dizer-te então que: Eu te Compreendo e que, assim, tens todo o meu apoio! E verás com muita alegria que, justamente agora, já não precisas mais do meu apoio, pois o foste buscar dentro de ti e o encontraste dentro da tua própria dor! A CAUSA É INTERIOR.

O homem traz a semente de sua vida dentro de si mesmo. O que quer que lhe aconteça, acontece por sua própria causa. As causas externas são secundárias; as causas internas são as principais. Existe a possibilidade de uma transformação...E que só você pode conseguir, basta querer..

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Transformação da Negatividade

TRASNFORMAÇÃO DA NEGATIVIDADE

Paul Ferrini

É importante que você olhe para os seus estados mentais negativos de modo que possa reconhecê-los. Toda pessoa tem de aprender a ver de que modo ela causa o seu próprio sofrimento, mantendo uma atitude negativa diante dos acontecimentos e das circunstâncias da vida. Se você não vê como faz isso, causará este sofrimento inconscientemente e então não compreenderá porque a sua vida é difícil. Você culpa as outras pessoas pelos seus problemas: os seus pais, a sua mulher, o seu marido, os seus filhos, o seu chefe e talvez até Deus.

Eu peço que você assuma a responsabilidade não apenas pelo que você faz, mas também pelo que você pensa. Eu peço que você compreenda o poder que os seus pensamentos têm para gerar estados emocionais negativos, dos quais se originam as ações equivocadas. Perceba como o pensamento de que ninguém o ama faz com que você não sinta amor pelas pessoas que, aos seus olhos, são amadas, e tenha inveja delas. Perceba com o pensamento e o estado emocional subseqüente dão origem a atos hostis, que afastam você das outras pessoas.

O pensamento "Ninguém me ama" torna-se uma profecia que acaba por se cumprir. Cultivando este pensamento, sentindo-se pouco amado e agindo de modo hostil com as outras pessoas, você se afasta do amor que tanto quer.

Da próxima vez que você tiver este pensamento, por favor, tome consciência dele. Se você perceber que está ficando deprimido, por favor, tome consciência disso. Se você falar ou agir de modo que o distancia das outras pessoas, por favor, tome consciência disso. Não se julgue mal por causa disso nem tente mudar coisa alguma. Só traga sua consciência para todo o ciclo dramático que vai do pensamento para a ação.

Perceba como os seus estados emocionais e mentais negativos provocam sofrimento na sua vida. Veja como a sua negatividade acaba por se confirmar. Toda vez que se distancia das outras pessoas, você dá substância à crença de que ninguém o ama. A verdade é que você não se sente amado.

Quando você vê o drama se desenrolando na sua frente, é mais fácil assumir a responsabilidade por ele. Então você passará a dizer a verdade a si mesmo. Quando o pensamento de que ninguém o ama lhe ocorrer, você o reconhecerá e o remodelará de um modo mais verdadeiro e responsável, dizendo, "Percebo que não estou me sentindo amado neste momento".

Em vez de tentar jogar no ombro das outras pessoas a responsabilidade por não se sentir amado, você assumirá a responsabilidade por esse sentimento. O mero fato de parar de responsabilizar os "outros" pelos seus estados mentais negativos e de assumir responsabilidade por eles é o começo da cura e da correção.

Quando se sabe que não está se sentindo amado, você naturalmente pergunta: "O que posso fazer para me sentir amado neste momento?" O que você constata ao formular essa importante pergunta é que o único jeito de suscitar o "sentimento" de que é amado é ter um "pensamento" amoroso. Os pensamentos amorosos causam um estado emocional positivo em que você se sente amado. E esse estado emocional positivo o leva a ter atitudes que restabelecem a sua ligação com as outras pessoas.

Ora, não importa se esse sentimento amoroso diz respeito a você mesmo ou a outra pessoa. Qualquer pensamento amoroso serve. O amor não é nem egoísta nem seletivo. Vale amar qualquer pessoa. Quando você oferece amor a outra pessoa, você também dá amor a si mesmo.

Quando o medo e a dúvida despertam na sua psique, você tem a opção de nutrir esses sentimentos ou não. Se nutri-los, você acabará acreditando que outra pessoa é responsável pela sua infelicidade e se sentirá incapaz de mudá-la. Se não nutrir os pensamentos negativos quando eles surgirem, você se lembrará várias e várias vezes de que você é responsável por tudo o que pensa, sente e vive. Se quer viver uma experiência diferente, você tem que escolher um pensamento diferente. Tem que substituir o pensamento de medo pelo sentimento de amor.

O que leva você a buscar incessantemente o amor das outras pessoas é o fato de não perceber que o amor só pode vir da sua própria consciência. Ele não tem relação com mais ninguém. O amor brota da sua disposição de ter pensamentos amorosos, de nutrir pensamentos amorosos e de praticar atos inspirados no amor e na confiança. Se estiver disposto a isso, a sua taça transbordará. Você terá constantemente o amor de que precisa e ficará encantado em oferecê-lo aos outros.

O manancial do amor está dentro do seu próprio coração. Não espere que os outros lhe dêem o amor de que você precisa. Não culpe os outros por não amá-lo. Você não precisa do amor das outras pessoas. Você precisa do seu próprio amor. O amor é a única dádiva que você pode conceber a si mesmo. Faça isso e o universo o apoiará. Não faça isso e o jogo de esconde-esconde continuará: você buscando o amor em todos os lugares errados.

Só existe um lugar onde você pode procurar o amor e encontrá-lo. Ninguém que o tenha procurado ali já se desapontou.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Mais uma história de Preto Velho - Telefone

Em uma madrugada de quarta-feira, em meio à orla marítima, Pai Benedito preparava-se para o último atendimento fraterno daquela noite.


A lua cheia brilhava esplendorosa no céu quando o perispirito de uma senhora de aproximadamente sessenta anos de idade, mas de mente jovial, sentou-se à frente da entidade.


— Como vai suncê zifia?


— Apesar de preocupada eu até que vou bem, mas qual é o nome do senhor?


— Zifia o nome deste nêgo é Benedito, mas nêgo deve pedir licença a suncê pra dizer que o senhor tá no céu.


— Vovô desculpe-me, mas eu só o chamei de senhor para demonstrar respeito.


— Nêgo véio sabe zifia, mas para que fique tudo certo é que nêgo pergunta: eu também posso tratá-la respeitosamente chamando-a de senhora?


— Ah não vovô, se for possível eu gostaria que o senhor me chamasse apenas de Mercedes.


— Então tá tudo certo zifia: nêgo chama suncê de Mercedes e suncê chama nêgo de Benedito.


Respondendo com um sorriso nos lábios Mercedes disse a entidade:


— Está certo vovô!


— Mas conte pra nêgo o que trouxe suncê até ele minha filha!


— Vovô, veja bem, eu conversei com o meu filho e ele disse que na próxima gira do terreiro ele vai estar sentado lá na assistência.


— Que bom zifia! Muito formoso suncê levar mais um zifio pra conhecer uma das casas de caridade onde nóis trabalha em nome da Umbanda.


— Nem me fale vovô, pois eu não vejo a hora de chegar o dia da próxima gira no terreiro!


— Mas por que tanta ansiedade zifia Mercedes? O filho de suncê tá com algum problema?


— Foi bom o senhor ter tocado neste assunto vovô, por que, na realidade, quem está com um problema sou eu!


— Conta pra nêgo véio zifia!!!


— Bem, é que nos últimos meses eu tenho me sentido muito só lá na casa onde eu vivo com meu filho, minha nora e meu netinho.


— Como assim zifia?


— A solidão que eu sinto é mais por parte do meu filho, que quase não tem tempo para estar comigo. O meu esposo faleceu há poucos meses, mas eu o sinto muito mais presente na minha vida do que o meu filho que eu tanto amo!


— Zifia Mercedes, nêgo inté que entende suncê; só o que nêgo não entende é o porquê da sua ansiedade em que o seu filho vá à assistência do terreiro.


— Olha vovô a minha ansiedade é por que eu não vejo a hora de o senhor conversar com o meu filho Ramon sobre toda esta solidão que eu já venho sentindo há um bom tempo. O senhor poderia fazer isto?


— Zifia antes, por caridade, responde uma coisa pra nêgo.


— Sim senhor!


— Zifia se o seu filho Ramon, ao invés de morar junto com suncê, residisse numa terra bem distante como suncê haveria de fazer pra conversar com ele?


— Bem vovô, eu poderia usar o telefone.


— Telefone?


— É vovô! O senhor não conhece?


— Ver nêgo já viu só que nêgo não sabe como funciona; suncê pode explicar pra ele?


— Certamente vovô! O telefone é um aparelho de comunicação onde eu posso fazer contato com outras pessoas, tanto como emissora quanto como receptora de mensagens.


— Nossa zifia Mercedes esse tal de telefone é mesmo um aparelho muito importante, não é?


— É sim vovô!


— Zifia pelo que este nêgo tá entendendo o telefone é um aparelho que encurta a distância aproximando pessoas, é isto?


— Exatamente vovô!


— Zifia, se uma pessoa que suncê gosta muito e sente muito a falta de comunicação com ela morasse do lado da sua casa suncê ia preferir entrar em contato com ela pelo telefone ou pessoalmente?


— Olha vovô eu preferiria pessoalmente.


— Suncê pode contar por quê?


— Perfeitamente. Para mim nada é mais importante do que o contato pessoal com aqueles que são tão caros ao nosso afeto. O telefone é importante, mas não deve substituir o carinho, a troca de energia e afeto que só o contato pessoal sabe proporcionar inigualavelmente.


— Deixa nêgo ver se entendeu: suncê tá dizendo que o telefone serve para encurtar distâncias em relação às pessoas que estão longe de nós, porque para pessoas que estão próximas nada é melhor do que o contato pessoal é isto?


— Exatamente isso vovô!


— Zifia Mercedes, nêgo véio entende que suncê veio até aqui pedir auxílio, mas, por caridade, será que Benedito pode fazer mais uma pergunta pra suncê?


— Puxa vovô, não precisa nem pedir!


— Zifia, como suncê mesma pode ver este nêgo véio não é muito chegado a beleza, mas mesmo assim ele pergunta: será que Nêgo Dito é tão feio, mas tão feio que parece um telefone?


Completamente atônita Mercedes respondeu:


— Como é vovô?


— Nêgo véio parece um telefone zifia?


— Claro que não vovô! O senhor é completamente diferente!


— Completamente diferente?


— Completamente vovô!


— Então porque zifia Mercedes deseja transformar este nêgo véio num telefone de suncê?


— Não entendo vovô!


— Não é suncê que mora na mesma casa com o seu filho Ramon?


— Sim senhor.


— Ele não lhe é muitíssimo caro?


— É sim senhor.


— E se ele mora na sua casa isso não quer dizer que ele lhe é próximo?


— Exatamente!


— Suncê quer que ele saiba que suncê se sente só em relação a ele, não é isto?


— Exatamente!


— Então por que suncê não aproveita esta oportunidade de ouro que é viver ao lado dele e não lhe diz o quanto a ausência dele a está fazendo sentir-se sozinha, triste, com medo de ser abandonada? Quem é nêgo véio pra substituir suncê no coração do seu filho? Se suncê souber quando, como e o que falar as suas palavras terão muito mais valia no coração do filho Ramon, do que qualquer palavra que este nêgo disser a ele, pois aos olhos daquele zifio nêgo véio seria apenas um telefone.


Talvez seja pelo fato do preto-velho falar das coisas que vão ao coração de um jeito tão humilde, talvez seja pelas palavras daquela entidade terem ampliado a consciência de Mercedes, ou talvez seja mesmo pelo fato dela ter carregado aquele sentimento de abandono por tempo demais dentro do seu ser: a realidade é que nenhuma destas teorias é mais importante do que o pranto transmutador que brotou dos olhos de Mercedes, desafogando o peito dela do medo e clareando o seu mental.


Após alguns instantes, e já se sentindo bem melhor, Mercedes disse a entidade:


— Vovô, o senhor me disse que se eu souber quando, como e o que falar com o meu filho o resultado será benéfico para nós dois, mas como é que eu vou saber o que quando e como comunicar-me com o meu filho?


— Simples zifia: é só suncê fazer um telefonema antes de conversar pessoalmente com o filho Ramon!


— Telefonema? Mas o senhor não acabou de dizer que é melhor falar pessoalmente?


— Este telefonema que suncê vai fazer num é pro fio Ramon!


— Não!?!?


— Não! É pra Zambi-Nosso-Pai!


— Telefonar para Deus? Vovô, o senhor está falando sério?


— Claro zifia Mercedes!


— E como é que se telefona pra Deus?


— Um telefone não serve pra comunicação?


— Sim.


— E como comunicar-se com Deus?


— Ah, entendi vovô! Eu devo fazer uma prece a Deus, não é isso?


— Exatamente zifia!


— Só que eu já fiz inúmeras preces a Deus e até agora não consegui encontrar forças para falar da minha dificuldade com o meu filho, por isto é que eu fui trazida até aqui para falar com o senhor!


— Nêgo véio sabe disto zifia: os filhos de fé são os emissores dos pedidos de auxilio divino, Zambi é o receptor destes pedidos, a oração é o telefone e nós, que suncês chamam de entidades, somos os impulsos telefônicos!


— Pois é vovô a sua definição é, mais uma vez, brilhante em tanta simplicidade, mas o que o senhor quer me dizer, na realidade, é que eu devo fazer mais preces antes de conversar com o Ramon?


— Zifia, por caridade, cite pra nêgo pelo menos dois problemas que podem atrapalhar ou impossibilitar a comunicação num telefonema entre duas pessoas aqui na terra.


— Bem, quando o telefone está mudo isto impossibilita a ligação telefônica; já quando esta é estabelecida os chiados podem atrapalhar a comunicação.


— Muito bom zifia! Foi suncê que acabou de ser brilhante!


— Eu?


— É zifia! Suncê mesma acabou de responder por que não conseguiu forças pra conversar com o seu filho apesar de sua reiterantes rogativas a Zambi.


— Eu respondi vovô?


— É zifia! Suncê até hoje não obteve a resposta de Zambi em relação aos “telefonemas” que suncê faz a Ele por conta das interferências no telefone.


— Não entendi vovô!


— Zifia Mercedes suncê mesma respondeu pra nêgo: quando o telefone está mudo a ligação fica impossibilitada.


— Desculpe, mas ainda não entendi vovô!


— Zifia muitas vezes quando suncê pega o telefone da oração pra fazer rogativas a Zambi ele está mudo e daì Zambi não recebe a mensagem de suncê!


— Quando é que isto acontece vovô?


— Quando sunce, por exemplo, faz a prece, mas se julga imerecedora de receber a benção, nêgo véio tá mentindo?


— Não senhor!


— O fato de emitir a oração com algum juízo de valor é o suficiente, por si só, pra torná-la muda, pois só Zambi-Nosso-Pai pode julgar o merecimento ou não de cada um em suas orações.


— Estou entendendo vovô, mas será que o senhor também poderia contar-me a interferência que faz a minha oração ficar com “chiados” aos ouvidos de Deus?


— Perfeitamente zifia! É quando suncê faz preces com outros desequilíbrios nos campos da fé!


— O desequilíbrio nos campos da fé provoca chiados na oração a Deus: é isto?


— Exatamente, pois a oração é por si só, um ato de fé, não é verdade?


— É verdade, agora estou entendendo Pai Benedito!


— No seu caso, como suncê bem sabe, o desequilíbrio nos campos da fé que produz os chiados em suas orações é originário do medo que suncê tem que Deus lhe dote de forças pra conversar com o seu filho e de que você, depois de conversar com ele, seja tratada de forma indesejada pelo Ramon devido à incompreensão dele.


— Não vou negar o senhor tem razão, é verdade!!!


— Pois então minha filha mudar sua postura, seu estado consciencial, continuar a ter fé em Deus sem duvidar de seu próprio merecimento e capacidade são as condições que farão a qualidade dos seus telefonemas ser a melhor possível aos ouvidos de Zambi-Nosso-Pai, suncê entendeu?


— Sim senhor!


— Então vá na força e na luz de Zambi-Nosso-Pai!


— Que assim seja e muito obrigado vovô!


— Nêgo véio é que agradece zifia Mercedes, nêgo veio é que agradece!!!



Mensagem de Pai Benedito recebida por Pedro Rangel.

domingo, 3 de junho de 2012

Pensamentos by André Luiz

Bom dia!
Bom domingo...
abraços,
nelly

Respeite os problemas alheios, sem interferir neles, a menos que a sua cooperação seja solicitada.


Não pronuncie palavras que ofendam e depreciem.


Quando possível, dê sempre alguma frase de consolo e esperança a quem sofre.


Não se faça estação de pessimismo ou desânimo.


Esqueça o mal que receba e nunca faça a cobrança do bem que tenha podido distribuir.


Não impulsione para a frente qualquer questão desagradável.


O trabalho no desempenho do seu dever é o capital que lhe valoriza as orações.


Lembre-se da parcela de socorro que sempre devemos aos companheiros mais necessitados que nós mesmos.


Quanto possível faça algo ou algo aprenda de útil para que seu dia de hoje seja melhor que o de ontem.


Nunca se esqueça de que todas as vantagens ou benefícios que desfrutemos da vida são empréstimos de Deus.

(André Luiz)

sábado, 2 de junho de 2012

Apegos

Apegos – por Sr Zé Pilintra

http://www.seteporteiras.org.br

Uma pessoa radical é aquela que não abre mão dos seus pontos de vista, que é intransigente no seu modo de ver e tratar um assunto. No popular, a gente podia dizer que é “um mala”, pois às vezes fica pesado ficar perto de alguém assim...
Todos nós, de algum jeito, temos lá nossos “radicalismos”, hehe... Uns são bem inocentes, não atrapalham ninguém. Vamos pegar uns exemplos.
Às vezes se diz: “Só tomo café de máquina”; “Só tomo café na xícara”; “Só como de garfo e faca”. Isso não chega a ser intransigência, mas um gosto da pessoa, uma coisa na qual ela se apega porque lhe faz bem, dá satisfação. Mas que ela perde a oportunidade de experimentar coisas novas, lá isso é verdade... Ainda fica uma questão: e se o amigo que lhe convidou pra comer não tem isso pra lhe oferecer, porque os costumes dele são mais simples?...
E isso também me traz pra lembrança um tempo meu de encarnado... Hehe, tempo bão!... Foi quando vivi aos cuidados da minha querida Vovó “Zurmira”― que assim ela se apresentava. Mulher de poucas letras, mas de um enorme coração... Quituteira de mão cheia, punha Luz e Amor em tudo o que tocava... Nos seus modos simples, quando sozinha, ela gostava de comer com as mãos, fazia lindos bocados... Mãos muito limpas, sempre lavadas com cuidado, e ainda banhadas de pureza pelos atendimentos de caridade que fazia... Eu era moleque e gostava de espiá-la nesses gestos simples e naturais. Eu pensava que ela é que tava certa, pois abria as mãos de trabalhadora pra receber e saborear os frutos da Mãe-Terra― era isso que eu sentia... Ela “se escondia”, pra evitar que alguém de fora se melindrasse, não gostava de ofender a ninguém... Quando tinha mais gente na mesa, então ela sabia usar garfo e faca, toda jeitosa e delicada. Tudo nela era delicado... O que mais vale na vida é o que a pessoa tem por dentro... E Vovó Zulmira demonstrava em qualquer situação aquela delicadeza, não dependia de mais nada pra ser assim... Enfim, cada um vive do seu jeito. Vamos continuar nossa prosa...
Outros tipos de radicalismo já vão dar complicação, mostrando que a pessoa perdeu a medida, que não está considerando outras opções e nem respeitando a opinião alheia.
Vamos pensar nuns exemplos: “Não suporto mulher de saia curta...”― essa frase tá sugerindo que tem “coisa errada” nela. Mas eu lhe pergunto: e o que você tem com isso? Se a Dona tá passeando feliz, lá com a sua sainha? A maldade tá no olho de quem vê... Se não lhe agrada, não use! Outro caso é quando se diz: “Não gosto de gente calada...” ―olha a ruindade aí, outra vez! Não podemos nos apressar em julgar a pessoa por causa de um comportamento dela ou duma aparência! O motivo dessa conversa não é apontar o dedo pra ninguém, e sim, a gente analisar os próprios comportamentos, observando as coisas que a Vida traz pra gente.
O motivo é a gente se lembrar― quando uma coisa assim (dos exemplos) acontece na nossa frente―, de que também fazemos isso, até sem perceber. A gente se apega num ponto de vista, numa idéia, e às vezes não aceita nada diferente daquilo e fica intransigente...
Intransigência é apego, é limitação. Não faz bem pra gente. O bom é procurar se
renovar sempre: considerar outros pontos de vista, outros jeitos de se fazer as coisas e etecétera e tal. Quando a gente se apega, agarra aquilo com as mãos. Daí, com as mãos cheias, fica mais difícil de poder receber outras coisas da Vida. Esse é o caso a considerar. A velha história: esvazie seus armários das coisas apinhadas, que você acaba nem usando tudo, pra poder receber coisas novas...
No coração e na cabeça da gente acontece a mesma coisa: precisa de ar novo, precisa de se abrir espaço para o novo entrar, pra que haja renovação das energias e da qualidade da vida que se leva.
Enfim, tem muita coisinha que a gente vai fazendo, e fazendo, sem se dar conta de que a soma daquilo tudo gera algumas atrapalhações no caminho...
A gente, sem perceber, vai acumulando coisas sem importância... E aquilo, muitas vezes, impede a entrada de coisas importantes que a gente tanto queria alcançar. A raiz dos tais “grandes problemas” quase sempre está em pequenas atitudes que a gente vai tomando na vida, sem se dar conta, sem parar pra pensar. Enfim, que um dia a gente aprende...
Outros radicalismos já mostram uma boa dose de orgulho e vaidade. Nos grupos a gente percebe melhor isso.
Imagine um Templo, onde há muitas tarefas a cumprir, mas alguém do grupo nunca tá disposto a fazer outro serviço que não seja a primeira tarefa que lhe deram ao entrar na casa. A pessoa se apega naquilo, não ensina os companheiros que acabaram de entrar no grupo, se apossa da tarefa e não se dispõe a mais nada. Principalmente no caso de ser convidada a fazer serviços de bastidores, aqueles que são importantes, mas que não colocam a pessoa em destaque durante os trabalhos (limpeza, arrumação e muitos outros)... Quem age assim perde a oportunidade de aprender outras coisas e cria insatisfação em torno de si, ao retirar oportunidades dos outros também. Pode não perceber, mas tá no orgulho e na vaidade... Não tá agindo com o senso de colaboração, não distribui, só recebe o que quer, e também não doa de si o que poderia. Isso acontece em todos os grupos (família, trabalho, estudo e etecétera).
Por que eu tô falando disso? Porque isso gera entraves na vida da pessoa!...
O mais interessante é o que eu chamo de radicalismo “chique”, hehe... É uma forma de intransigência velada, quando a pessoa impõe seu gosto e pensamento de forma indireta, querendo fazer disso o padrão que todos “devem” seguir. É uma forma de controle. De “chique”, não tem nada... Essa pessoa nunca levanta a voz, se controla ao máximo, não perde a pose, mas outras atitudes revelam sua real intenção: ela solta uma piadinha, ou faz caras e bocas, ou revira os olhos, ou dá uma risadinha de canto da boca, isso quando o outro tá falando ou mostrando uma coisa que ganhou ou um trabalho que fez, e todo feliz, querendo compartilhar sua felicidade. Vamos dizer que alguém chega pros companheiros e, todo feliz, mostra uma roupa nova. O radical “chique” dá parabéns, elogia, mas pelas costas do companheiro revira os olhos, numa crítica maldosa e covarde, querendo dizer que aquilo é de mau gosto... Não foi um ataque aberto e direto, o companheiro nem percebeu, mas aquilo foi visto pelo restante do grupo. Uma censura sem propósito e que nada traz de bom pra ninguém. Uma atitude infeliz... Sou bem sincero, não gosto disso. Prefiro os maldosos declarados, que chegam na cara da gente e despejam sua crítica pesada e, no geral, sem fundamento. Pelo menos, mostram quem são!...
Já o radical “chique” é perigoso: dissimulado, liso, vive se escondendo, escorregando, querendo ter vantagem em tudo, ficar “por cima”, sem nunca se expor ou dizer quem é...
Mas não tenho raiva, não! Quem age desse jeito tá doente, e já perdeu a noção de si mesmo, de tanto se disfarçar... Enfim, que todos nós precisamos de ajuda e de um trabalho constante de autoconhecimento, pra ir melhorando aos poucos.
E o fim dessa prosa é esse mesmo: que a gente pense e repense, analisando as coisas que fez naquele dia, fazendo um balanço de tudo, pra se melhorar e melhorar na vida. Um balanço no final de cada dia, revendo o que aconteceu, as nossas emoções diante das coisas, os sentimentos, as reações, as decisões e indecisões... Não pra se condenar pelo que não fez tão bem, mas pra avaliar o avanço que tem feito, e as coisas que pedem uma revisão, onde tá carecendo de um apoio, procurando ajuda e etecétera. Afinal, a nossa vida é a empresa mais importante que pode haver. Quem lucra e quem às vezes perde, num momento, é a gente mesmo, de tudo aquilo que faz e deixa de fazer.
Com esse balanço a cada dia, as coisas não se acumulam. Os armários e as gavetas da nossa cabeça vão estar sempre arejados e com espaço pra coisas novas. A gente vai ficando mais capaz de ter pensamentos e idéias bem claras. Os problemas não ficam tão pesados, porque a gente vai olhar pra eles um dia de cada vez, fazendo o que pode pra melhorar, dia após dia. Isso dá um alívio na gente, e as coisas ficam mais leves, não tem lugar pra “dramas”...
Eu lhe desejo muita paz e sucesso nos seus balanços de final do dia!
Muita coragem pra continuar, muita determinação, muito carinho por si mesmo, muitas boas colheitas, muitos projetos pra realizar.
Porque sei de uma coisa, meu amigo, minha amiga: se você teve paciência com essa minha conversa, respeitando os meus limites de comunicação, é porque você é uma pessoa “chique” de verdade: com muita elegância na alma, com um coração aberto pra ouvir os outros, com disposição de observar o que acontece à sua volta, pra tirar suas próprias conclusões e acolher no coração e na mente o que lhe possa trazer algo de bom. Muito obrigado!
Enfim, tudo ensina, pois de tudo se tira mais uma experiência. E assim a Vida nos leva pra caminhos melhores...
Então, que OLORUM nos ilumine, pra que a gente se livre de ser uma pessoa apegada demais e radical; mas sem nunca perder o respeito, de irmão pra irmão, por aqueles que ainda estejam noutra fase de aprendizado... Que assim seja!
Fique na Paz.

(Zé Pelintra, 16/3/2012)

Praticando o Amor

Eu entendo que a atuação mediúnica só tem sentido se for realizado como um profundo ato de amor, por si, pelo próximo, por Deus... Axé! "Se existe amor, há também esperança de existirem verdadeiras famílias, verdadeira fraternidade, verdadeira igualdade e verdadeira paz. Se não há mais amor dentro de você, se você continua a ver os outros como inimigos, não importa o conhecimento ou o nível de instrução que você tenha, não importa o progresso material que alcance, só haverá sofrimento e confusão no cômputo final. O homem vai continuar enganando e subjugando outros homens, mas insultar ou maltratar os outros é algo sem propósito. O fundamento de toda prática espiritual é o amor. Que você o pratique bem é meu único pedido” - Dalai Lama -

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Celebrando a Paz

Amigos, na busca por uma mediunidade equilibrada, por um trabalho sério e, principalmente na minha eterna tentativa de transformação pessoal, tenho experimentado vários momentos que valem por uma vida inteira. Entre esses momentos de aprendizado profundo, estão as noites de terça-feira junto a corrente que vai se construindo devagarinho... A idéia de ser manso e prudente tem tomado uma nova perspectiva para o meu espírito aguerrido e belicoso (rs)... viver tem tomado uma nova perspectiva. Não há nada de novo, não há nada de espetacular, nenhum milagre, nenhuma novidade...apenas a vida se mostrando em uma perspectiva tão familiar e querida ao coração que parece que sempre foi assim. E nessa simplicidade cabem as palavras que inspiraram nossa saudação aos Pretos Velhos. Adorei as Almas! Carinho, Nelly A Paz A paz não é orgulhosa de si, não se compraz no ego. Não se constrói na tristeza do outro, nem na competição. Se houver um único ser que possa se lamentar por tua existência, por algo que você fez ou falou, então não há paz. Se não houver perdão de si para si e para o outro, não há paz. A paz não se faz no barulho, na balbúrdia. Ela nasce na tranquilidade da mente e do coração. Ela é filha de uma consciência límpida e de um coração bondoso. Se houver resistência ou não aceitação de algo, então não há paz. Se houver rebeldia ou contradição, então não há paz. Não há paz nas palavras doentias, nas ações de má fé. Não há paz em atitudes e palavras rudes. Não há paz na vaidade. Não se luta pela paz. Nenhuma guerra, briga ou competição se justifica pela busca da paz. Se constrói a paz na humildade dos atos e palavras. Ela é fruto da renúncia, da maturidade do espírito que busca entender e aceitar os caminhos da vida. Não se toma a paz para si, pois ela não pertence a ninguém, não é objeto de barganha ou de negociação. Ela é de Deus e é o próprio Mestre redivivo na alma de cada um. É preciso gratidão e alegria serena para que a paz se manifeste. É preciso silêncio para perceber a paz. É preciso simplicidade para viver a paz. É preciso entregar-se ao mistério divino para ser a paz. Um espírito livre é um espírito de paz. Pela libertação dos cativeiros da alma, salve a Paz de Oxalá! Salve Vó Benedita de Aruanda! (mensagem pela saudação dos Pretos Velhos no dia 15 de maio de 2012)